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Cota feminina leva a corrida por filiações de mulheres em Goiás

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Garantia do mínimo de 30% para as chapas proporcionais, sem risco de renúncia ou indeferimento, é desafio para legendas, que tentam assegurar nomes que possam ajudar a puxar votos

João Paulo Cavalcante

Publicado

em

Lúcia Vânia, ex-senadora, pré-candidata a deputada federal:
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Com a obrigação de ter nas chapas proporcionais das eleições de 2022 ao menos 30% de candidatas mulheres, partidos disputam filiações daquelas interessadas em pleitear um mandato na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ou na Câmara dos Deputados. A corrida é para garantir o porcentual mínimo exigido por lei sem correr riscos de renúncias ou indeferimentos que alterem a proporção.

Conversamos com lideranças de diretórios goianos de alguns dos maiores partidos. Enquanto alguns batalham para conseguir atingir o porcentual mínimo, outros acreditam que vão conseguir montar uma chapa com 50% de homens e 50% de mulheres. Além disso, o impasse de algumas siglas que ainda não definiram se vão estar em federações é um fator que interfere nessa formação de chapa.

Para cumprir a cota, os partidos que forem com chapa completa devem ter pelo menos seis candidatas a deputada federal e 13 a deputada estadual.

Segundo o deputado federal Delegado Waldir (UB), que tem trabalhado na montagem de chapa do União Brasil, presidido em Goiás pelo governador Ronaldo Caiado (UB), a sigla está trabalhando para cumprir o que é exigido em lei, mas avalia que ainda é precipitado afirmar se vão conseguir ultrapassar o porcentual mínimo.

“Hoje existe um complicador, porque temos muitos partidos e poucos candidatos”, avalia. Waldir, porém, afirma que o partido vai respeitar a lei e que a sigla tem promovido cursos de formação política para mulheres. Ele também destaca a filiação da ex-senadora Lúcia Vânia ao União Brasil, com evento marcado para esta sexta-feira (18). Pré-candidata a deputada federal, ela deve ser uma das puxadoras de votos para a chapa.

Daniel Vilela, que preside o MDB em Goiás, diz que, hoje, o partido tem 80% do mínimo exigido de pré-candidatas mulheres para deputada estadual. “Para federal ainda não chegamos nesse nível, mas temos muitas conversas em andamento”, afirma. Ele prefere não adiantar nomes das possíveis candidatas a deputada federal porque, nas palavras do emedebista, “está todo mundo brigando a tapas pelas candidatas”.

Presidente estadual do Patriota, Jorcelino Braga diz que está trabalhando para cumprir a cota na eleição de 2022 há pelo menos dois anos. Ainda assim, ele afirma que vai ser difícil ultrapassar o porcentual mínimo. “Acho que é uma dificuldade histórica, mas a tendência natural é que isso vá melhorando com o tempo”, explica o líder partidário, que também prefere preservar ainda os nomes da sua chapa por conta da disputa com outras siglas.

Vilmar Rocha, que preside o PSD em Goiás, afirma que o partido não vai ter dificuldades para atingir a cota. Ele inclusive vislumbra que o Brasil possa caminhar para ter, no futuro, nos legislativos uma paridade de gênero, com 50% de homens e 50% de mulheres. “Mas acho que vai ser devagar, como temos histórico de baixa participação de mulheres na política, às vezes a gente tem dificuldade de preencher a chapa. Com o tempo isso vai amadurecendo.”

Presidente do PSDB goiano, o ex-governador Marconi Perillo afirma que o partido tem conversado com lideranças de todo o estado para o cumprimento das cotas e, também, para a formação da chapa.

Esquerda

Os partidos de esquerda consideram que a tarefa será mais fácil para eles. A presidente do PT em Goiás, Kátia Maria, lembra o fato de que o partido tem paridade de gênero nos cargos de direção. “A gente tem essa política de incentivo e, nas chapas, nós temos trabalhado com várias lideranças femininas para ter mais que os 30% de candidatas.”

Segundo Kátia, a ideia é também eleger mais de 30% de mulheres pelo PT tanto para deputada estadual como para federal. Por conta da federação com o PCdoB, PV e, possivelmente, o PSB, o PT deve ocupar cerca de metade da chapa proporcional. Nesse sentido, a presidente explica que a meta é ter quatro deputados estaduais e três federais eleitos.

“Desses, eu acho que a gente tem condição de eleger dois homens e duas mulheres deputadas estaduais, porque a chapa está bem competitiva”, explica. Entre os principais nomes para a disputa está o da deputada estadual Adriana Accorsi (PT), que já lançou sua pré-candidatura a deputada federal, e deve ser uma das puxadoras de voto para a chapa petista.

A presidente do PSOL, Cíntia Dias, também avalia que o partido não terá dificuldade por considerar que manter o equilíbrio entre homens e mulheres é uma política permanente da sigla. Ela ainda não consegue dar uma previsão de números porque a legenda ainda articula a formação de uma federação. “Mas a intenção é ir com chapa cheia”, afirma. A principal candidata a deputada estadual do partido é Manu Jacob, que esteve na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2020.

O desafio dos partidos é, além de cumprir a cota mínima, garantir a permanência dessas candidatas durante a campanha. A eleição de 2020 em Goiânia, por exemplo, rendeu judicializações para pelo menos 13 partidos que, apesar de terem apresentado a chapa com a proporção correta, sofreram com a renúncia e o indeferimento de candidatas logo depois que protocolaram o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (Drap).

Com isso, chegaram às urnas sem o mínimo de candidaturas femininas. A Justiça Eleitoral, hoje, julga se as chapas devem ou não ser cassadas. Para isso, é necessário que seja provada a ocorrência de fraudes, ou seja, o lançamento de candidaturas fantasmas, que serviram apenas para que o porcentual mínimo fosse cumprido, a fim de viabilizar o registro da chapa.

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